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07/08/2020

Leite materno causa cáries?

Amamentação e o aparecimento de cáries

 

Um dos grandes desafios para as famílias é o cuidado com a saúde bucal do bebê. Por um lado, este assunto é pouco abordado e difundido, tanto nas redes sociais quanto nas consultas e espaços de educação em saúde.

 

Ao mesmo tempo, grande parte da população ainda não tem acesso precoce às orientações sobre higiene oral, e provavelmente só procura auxílio quando uma lesão já está instalada, o que dificulta ainda mais a adoção dos cuidados preventivos às cáries.


A imagem mostra uma bebê lambendo um pirulito colorido.

 

A cárie na primeira infância (CPI) acontece quando há um ou mais dentes cariados, perdido por cárie ou restaurados, em crianças menores de 6 anos. Esta é uma doença multifatorial e prevenível, que atualmente afeta mais de 600 milhões de crianças no mundo.

 

A cárie dentária é determinada por fatores biológicos, comportamentais e psicossociais relacionados ao meio da criança. A dinâmica de aparecimento das lesões envolve o desequilíbrio entre o consumo de açúcar e o ciclo de mineralização do tecido dentário.


 

Em 2016, a revista britânica The Lancet publicou estudos que evidenciaram que a amamentação confere proteção contra infecções na infância e mal- oclusão, aumenta a inteligência e provavelmente reduz a ocorrência de sobrepeso e diabetes na vida adulta.

 

No entanto, identificou o aumento de ocorrência de cárie dentária em bebês amamentados por mais de 12 meses, o que levou diversos pediatras e dentistas a atribuírem à amamentação noturna o aparecimento de tais lesões.
 

Outros estudos analisaram tal associação, pois ela considerava apenas um aspecto da alimentação destas crianças para estabelecer a relação de causa e consequência, não observando que, na faixa etária pesquisada, a introdução alimentar já foi estabelecida, o que significa que o bebê tem acesso a outros alimentos que podem estar influenciando o resultado encontrado.

 

O açúcar do leite materno é a lactose, que não tem os mesmos efeitos danosos do açúcar (sacarose) de alimentos e fórmulas. Além disso, o mecanismo da amamentação faz com que o leite materno não permaneça muito tempo na boca, menos ainda em contato com os dentes.

 

Assim, se o leite materno representasse a única fonte de nutriente para o lactante, o risco seria mínimo de promover desmineralização da estrutura dentária, acarretando no aparecimento de lesões de cárie na primeira infância.


 

Leia mais sobre isso: http://www.archhealthinvestigation.com.br/ArcHI/article/view/2820


 

O que normalmente acontece é a introdução de produtos contendo sacarose, junto ao aleitamento materno. A introdução precoce de alimentos com alto índice de açúcar nas mamadeiras e sucos aumenta a chance de desenvolvimento de cárie, quando comparado com aquelas crianças que são amamentadas somente com o leite materno, não ficando evidente a ação cariogênica exclusiva do aleitamento materno.

 

Práticas como o uso de fórmulas ou o uso de chupetas, combinado com uma dieta rica em açúcar, também podem proporcionar um ambiente ácido e rico em bactérias, o que pode causar uma desmineralização ou dissolução do esmalte dentário, levando à cárie.


Em 2019, foi promulgada a Declaração de Bangkok, em que eram recomendadas as seguintes ações:


1. Conscientizar pais/cuidadores, dentistas, técnicos em saúde bucal, médicos, enfermeiras, profissionais da saúde e outros grupos interessados sobre CPI;

2. Limitar o consumo de açúcar em alimentos e bebidas e evitar açúcares livres para crianças com menos de 2 anos de idade;

3. Escovar os dentes de todas as crianças duas vezes por dia com pasta fluoretada (ao menos 1000 ppm) usando uma quantidade adequada de dentifrício;

4. Prover orientações preventivas no primeiro ano de vida por um profissional da saúde ou agente comunitário de saúde (em conjunto com programas já existentes – p.ex. campanhas de vacinação – sempre que possível) e, idealmente, referir para um dentista para manutenção e cuidados preventivos.

Imagem de Sally Wynn por Pixabay

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